A vida passa, cada vez mais depressa.
É impressionante como, por vezes, damos conta que vários anos passaram desde um dado acontecimento. Parece-nos que foi há ... sei lá, uns meses atrás, no máximo um ano e ... na verdade, passaram 3 anos, 5 anos, uma eternidade.
Há medida que vamos ficando mais velhos esta sensação parece tornar-se cada vez mais vulgar (afinal, com o acumular dos anos, também os acontecimentos que temos para guardar/recordar são cada vez mais ...).
Nas últimas semanas, tenho andado a pensar em comprar uma viola, uma viola a sério ...
Com a minha mania de racionalizar tudo, é claro que não posso deixar de me questionar se estarei bom da cabeça. De facto (ou de fato - sim, porque agora tenho um fato catita que só não me custou quase o mesmo que a dita viola custa devido aos saldos), para que quero eu a viola? Tenho actualmente 3:
- a eléctrica, que vem desde a adolescência, e cujo estado não é dos mais recomendáveis (acho que a parte eléctrica tem alguns problemas);
- a semi-acústica, a qual comprei quando entrei na universidade, em 1987. É a melhor de todas, com um estojo todo nice. Recentemente, há cerca de 7 anos, foi toda reparada e limpa.
- a acústica, comprada há cerca de 7 anos, na mesma ocasião em que mandei a outra a limpar.
Tocarei, no máximo dos máximos, 1 hora a cada 15 dias, talvez nem tanto ... Para que raio quero eu outra viola?
A minha cara metade já ameaçou, não entra mais nenhuma sem sair alguma (desejavelmente algumas, ou mesmo todas)!
No fundo, ando sempre de desejo de consumo em desejo de consumo, numa busca incessante de algo que cative a minha atenção a sério.
A vida é realmente uma treta quando se limita a uma mera existência, uma passagem por um conjunto de lugares. Tudo bem que, para quem gosta de nós (é bom pensar que há alguém que gosta de nós), a nossa "passagem" trás sempre alguma coisa de bom, mas para cada um de nós, não deixa de ser um pequeno detalhe.
O recente advento do Facebook constitui uma boa forma de as pessoas se dedicarem a alguma coisa que lhes dá algum gozo - partilhar alguma coisa com os outros.
Mas vejo sistematicamente que a saudade do tempo que passou, em especial quando se era jovem, é temática constante entre pessoas da minha idade. Será um sinal de que estamos velhos? Ou de que nos sentimos velhos?